domingo, 24 de junho de 2007

O APAGÃO DA MEMÓRIA

O Estadão contabilizou: desde o início do apagão nos aeroportos do país, em setembro do ano passado, Lula exigiu sete vezes o fim da crise. Bom, já ficou claro que não será atendido. Anteontem, o ministro da Defesa, Valdir Pires, antecipou o retorno de Paris e garantiu, com um cinismo impressionante: “Tenham paciência, em um ano a coisa se normalizará”. Sério.
Contrasta com a cara de pau do ministro, a exigência de John Boothman Stuttard Alderman, que também com um nome desse mais a autoridade de prefeito do principal distrito de Londres, só poderia cobrar mesmo do futuro primeiro-ministro, Gordon Brown, uma solução para os atrasos no aeroporto de Heathrow.
“Os executivos só farão negócios aqui se eles acharem que é fácil usar nossos aeroportos – e no momento, não é”.
Aqui, ao menos, nós temos alternativa. É só, como é mesmo?, relaxar e gozar. E se é pouco, acrescente-se a afirmação do escorregadio Guido Mante(i)ga que, pelo jeito, emprestou o óleo de peroba do amigo Pires para compor a pérola: “o caos aéreo é sinal de prosperidade”. Ai, chineses, vocês ainda têm muito o que aprender.
Sobra então para Lula, que faz o que sabe fazer melhor: proíbe os “pitacos” inconvenientes dos ministros e arremata nova exigência para que o problema seja enfim resolvido. Contabilize-se mais uma ordem presidencial solenemente ignorada.
Nós brasileiros acometidos pelo apagão da memória, tanto que votamos insistentemente na mesma craca parasitária por anos a fio, deveríamos estar escolados. Senão, vejamos dois casos recentes. Março de 2007. Lula se reúne com a cúpula da Aeronáutica e com o ministro da Defesa e exige (do verbo “exigir”) data e hora para o fim da crise nos aeroportos. E dá-lhe metáfora: “Um bom médico só pode acertar se tiver um diagnóstico. Não adianta ficar culpando um ou outro. Temos de resolver. Temos de dar uma solução para o caso”. Bom, três meses se passaram.
Mais uma? Em 4 de abril, Lula garante (do verbo “garantir”) que o caos não se repetirá. Diz ter um diagnóstico correto da situação. “A Aeronáutica está com a responsabilidade de não permitir que aconteça mais isso”.
Ontem, com o caos instalado novamente, o governo elaborava um plano de emergência para solucionar o caso. Desta vez parece que vai. Ou você não acredita?

Mais na coluna Toda Política deste fim de semana no JE.

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