DA SÉRIE "DOCUMENTOS IMPERDÍVEIS"
Os dossiês de Osmar Dias
Fábio Campana
[02/09/2006]
O senador Osmar Dias (PDT) teria em mãos uma penca graúda de dossiês com histórias cabeludas de jornalistas e eu seria protagonista central de um deles.
Quem faz a ameaça é a mulher dama Débora Yankilevich, que assegura que Osmar não pretende divulgá-los, desde que os jornalistas arrolados demonstrem simpatia pela sua causa aqui e em Tocantins.
Ora, pois, Osmar Dias é senador, homem público, cidadão. Se tem denúncias guardadas na gaveta e as oculta, comete crime de omissão. Deve divulgar todos esses dossiês com a máxima urgência.
Eu quero instar o senador a publicar o dossiê que sua personal diz que ele organizou contra mim. Mais. Peço a Osmar Dias que o encaminhe ao Ministério Público. É tolice imaginar que eu ficaria à mercê de ameaça do tipo. Até, porque, não temo dossiês ou qualquer tipo de denúncia que o senador possa fazer.
Será vergonhoso se outros jornalistas aceitarem o método Yankilevich de conquistar apoios na imprensa para as suas cores. Nem acredito que você, senador, precise desse expediente. A imprensa tem sido solícita em divulgá-lo e as suas idéias.
Estivemos juntos, na mesma campanha eleitoral e em secretariados do mesmo governo. Injunções de uma época distante, mas ainda não esclarecidas de todo. Talvez seja esta a oportunidade.
Foi a campanha de Requião, em 1990. Lembra? O ano do Ferreirinha. Você foi o coordenador central da campanha e eu o coordenador de comunicação.
Fomos secretários também do governo anterior, o de seu irmão Alvaro. Mas tinha para mim que você se diferenciava pela atitude e pelos métodos dos governantes de então.
Agora percebo que, ao adotar a Yankilevich como orientadora para assunto onde não se deve confundir os princípios que regem a imprensa com a principal atividade dessa senhora, você pode ter adotado a fórmula. Seria uma lástima. Não costumo dar importância a esse tipo de atitude quando parte de achacadores e escroques comuns. Mas em se tratando de você, um senador da República, renovo o meu pedido. Se você tem um dossiê, publique, denuncie, mostre. É feio fazer ameaças do gênero. Você bem sabe disso. Como prega a Yankilevich, o importante, além de derrubar a cobra, é mostrar o pau.
O preço e a claque
Fábio Campana
[13/06/2007]
Há quem acredite que todo homem tem um preço. É comum que quem o diga tenha o seu e faça alarde das virtudes que põe à frete.
Requião diz que a imprensa critica o seu governo porque não recebe dinheiro dos cofres públicos. Assim, pretende a absolvição prévia da opinião pública diante das denúncias de corrupção que transformaram este mandato em escândalo permanente.
Ontem, em seu destempero habitual, atacou a revista Idéias, da qual sou editor, e acusou-me de não ter princípios, pois está convencido de que mereceria elogios se pagasse por eles.
Ora, pois, é bom que se façam algumas revelações. No início deste ano, Requião convidou-me para que integrasse seu governo como secretário especial. Fez mais. Garantiu que financiaria a revista Idéias se eu me engajasse em seu projeto presidencial.
Há testemunhas de suas propostas. Uma delas é o chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro. Não aceitei o convite do governador Requião. Nem a sua disposição de “ajudar” a revista. Respondi a ele que entre as razões para recusar o convite havia uma intransponível. Emblemática. Jamais compareceria à escolinha das terças para aplaudi-lo, um dos preços que impõe aos seus secretários.
Não é a única razão, mas ela é suficiente para explicar as demais. É impossível manter a dignidade e ao mesmo tempo servir a um governo cujo autoritarismo e personalismo doentio do chefe se expressam na exigência patética de compor a claque.
Não. Para alguém como eu não há o que pague por esse tipo de humilhação. Agora, imaginem vocês como funciona esse governo que expõe a sua face nessa bufonaria das terças. O terrível é saber que quem paga por tudo isso somos nós, os cidadãos. Mas não há mal que sempre dure.

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