domingo, 17 de junho de 2007

COMO VOVÔ JÁ DIZIA

Vovô não quis dar nome ao boy na crítica que desencavou em "O Estado do Paraná", na sexta-feira. Assim, meio de esguelha, ficou claro que ele precisa de um governador pra chamar de seu. Como vovô não me nomeoou também não o nomeei. E fica o dito pelo Benedito.

Como vovô já dizia
Vovô me deu a honra ontem em sua coluna. Assim caminha a humanidade. Fui incluído no rol dos chatos fiscalizadores de cronistas (os da vida imundana).
“Hoje, temos chatos de novos tipos. Mas os piores, sem dúvida habitam a política e os seus arredores, inclusive a crônica, onde surgiu o chato fiscal dos cronistas, aquele que se corrói de inveja e é incapaz de produzir algo que vá além da mediania, derrama sua bílis sobre os que têm talento”.
Talento para quê, vovô? Nem me arrisco a responder. Já me bastam os processos que se acumulam de gente desclassificada, canalhas menores, apedeutas de quinto escalão a se esbaldarem com o meu, o seu, o nosso dinheiro. Basta ter uma boa “idéia” não é mesmo? Hahaha.
Ao distinto público que não entendeu patavina do que se disse até agora, explico. Vovô sorveu, papou, engoliu, deglutiu, triturou, bebeu, lambuzou na manus do governo (qualquer governo) e agora, que lhe tiram a cuia, ei-lo profano, herege, necrófilo. Haja engov.
Faz-se xenófobo contra os chatos de fora. Quer reserva de mercado para os chatos de província. Aqui com maná adubando dá. Espécime afagus afagabus da pena cortesã. Que faz do homem público o angu publicado. O Arlequim de Goldoni, servidor de dois amos. Assim é se lhe parece.
Talento de hiena velhaca. Talento de urubu de papo amarelo. Onde é que me faz inveja? No merdoso kitsch, na ante-sala do poder? Quem sabe fincado no paraíso na terra, onde é paranaense de pés no chão. E mãos também. Ode ao híbrido do jornalista que nunca foi e do escritor que nunca será. Ode ao vermelho, mas só de raiva. E ao amarelão ideológico.
Eu, cronista, que nada. Aqui, nesse botequim, tem bílis, tem fígado sim senhor. É pau, é pedra, é fogo e fezes. Trovador só da genitora alheia.
Dize-me com quem andas e te direi quanto és. Todo homem tem seu preço. Quem viver, verá. Ei vovô, quem mastiga clichê? Eis um deslumbrado metafísico, um mendigo de coroa, um cadáver insepulto da imprensa de dobradiças nas vértebras. Talento o vovô tem sim. Habilidade a toda prova. Mas é maestro em não largar o osso. Ei Requião, que menestrel porreta!


Mais na coluna Toda Política deste fim de semana no JE.


Livrai-nos dos chatos

Fábio Campana [15/06/2007]


Ontem foi aniversário de Dalton Trevisan, nosso genial fabro. Lembrei-me de uma de suas obras-primas. Aquele apelo ao Senhor que tenho vontade de entoar em voz alta, todos os dias.

“Livra-me dos chatos e Te agradecerei, oh Senhor. Rouba-me o emprego, planta-me em cada dedo a Tua unha encravada, mata-me de morte lenta e dolorosa, mas livra-me dos chatos. Há chatos demais, Senhor, nesta Tua cidade. Cobre a minha cabeça de piolhos, arran-ca-me os meus olhos das órbitas, Senhor, mas livra-me dos chatos”.

E pensar que ele escreveu isso quando boa parte dos chatos de hoje nem tinham nascido e se reproduzido aos milhares nesta nossa cidade.

Hoje, temos chatos de novos tipos. Mas os piores, sem dúvida, habitam a política e os seus arredores, inclusive a crônica, onde surgiu o chato fiscal dos cronistas, aquele que se corrói de pura inveja e é incapaz de produzir algo que vá além da mediania, derrama sua bílis sobre os que têm talento.

Ah, os chatos. “Eles podem mais que Teu rum da Jamaica, que Teu éter sulfúrico. De Curitiba fugiram os Teus anjos, Senhor e, se fugiram, eles que eram anjos, o que será de mim?”

Há chatos demais e os mais pestilentos são aqueles que se levam à sério, que se acreditam heróis, que se alardeiam sem pecados, sem fragilidades, e fazem de seus cargos e da pompa do poder a justificação de uma existência medíocre.

Livrai-nos dos chatos que se acreditam salvadores da pátria, guardiões do templo, vestais e, principalmente, Senhor, livrai-nos da Hora do Chato, aquele programa das terças em que o chato-mor discursa sobre si mesmo e se infla de soberba sob os aplausos dos parentes e dos áulicos.

E dai longa vida ao Dalton Trevisan, Senhor, pois a leitura de sua obra é um bálsamo que ajuda a esquecer os chatos desta província.

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