segunda-feira, 21 de maio de 2007

O PV BIÔNICO

A coluna Toda Política desta terça-feira (22) no JE.


O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) pode ser um expoente da democracia, mas seu partido é tão chulé quanto qualquer um que grassa neste país.
Na Convenção Nacional do partido, no fim de semana, ficou provado que se as agremiações políticas sofrem de algum mal, este é a anti-democracia.
Tal como o PPS, o PDT, o PMDB, o PTB e tantos outros partidos políticos que estufam o peito em nome da palavrinha inventada pelos gregos (se você não sabe, não sou eu que vou ensinar), o PV utiliza de uma brecha da legislação eleitoral – aliás, está mais para um canyon – para manter os correligionários sob controle: a comissão provisória. É com ela que os dirigentes do partido lançam mão na hora de fazer valer o que decidiram, sem retoques, na “calada da noite”.
Em tese, as comissões provisórias deveriam existir para sanar irregularidades nos diretórios e manter a batuta da política partidária. Pois o que deveria ser uma exceção virou regra.
No Paraná, onde o dirigente do partido é um fiel discípulo de Requião, as comissões provisórias transformaram-se em uma verdadeira praga. Praticamente todos os diretórios municipais dos verdes são controlados por uma comissão concebida e empossada pelo pevista Melo Viana, cujo apodo é “Duende Natureba”.
Daí terem se transmutado em diretórios biônicos que rezam a cartilha segundo o diretório regional e, por extensão, segundo o diretório nacional.
À fieira de aberrações políticas juntem-se regras toscas que mais aviltam do que fazem proliferar o debate nas esferas partidárias.
Tome-se o caso da eleição da nova presidência nacional do PV, em Brasília. De um lado, José Luiz Penna, o eterno dirigente. De outro, Juca Ferreira, apoiado pelo ministro Gilberto Gil (Cultura). Na sexta-feira passada constatou-se que pelo menos 1/3 dos delegados havia sido eleito às vésperas da convenção e não 15 dias antes como rege o estatuto do partido. Mas não ficou nisso. Este mesmo 1/3 havia sido indicado, em sua maioria, por comissões provisórias controladas pelos diretórios estaduais e protegidas sob as asas de Penna (com o perdão do trocadilho). Era uma eleição, portanto, de cartas marcadas. Fernando Gabeira, naquele estilo “tudo blue” pode até considerar a disputa dentro do PV um microcosmo besta diante do espectro autoritário que ronda novamente o país. É inegável, contudo, o sinal dos tempos. O PV comprovou: é mesmo um partideco, ainda que cercado daquela simpatia ecochata. Da democracia partidária, então, nem se fale. É peça de ficção. Fica a frase do vereador e líder do PV na Câmara, Paulo Salamuni, desconsolado com a política. “Mudar de partido no Brasil é só mudar de quadrilha”.

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